Enquanto eu menina,
embaixo da mesa,
me alimentava de gatos,
meus pais e os outros dois de mim
levavam à boca a seriedade das folhas,
das águas,
saborosas pequenices e muitas, muitas falas.
Eram comigo, ensaio de gente entendida.
No entanto não sabiam,
até onde estender com os pássaros.
-meu gatinho miava a mirar só grama
e esperava.
O tempo despertava sono e me esqueciam no vermelho daquele chão.
nessa hora, meu gato já estava mais para peixe
(só havia se esquecido de avisar às quatro patas, o momento de recolher)
pedia água assim:
cágua! qué qué qué. cágua! qué qué qué
era música igual cantava aquele,
sobre o fogo que apagou, sabe?
Leva sempre no bico essa notícia.
Esse mesmo.
O menestrel dos ares.
Para quem sabe voar.
-Eu sabia.
-Ainda sei saber.
Quando deserta,
voltava a ser gente.
Era preciso muita concentração
e um bocadinho de indisciplina com tudo.
Não durava muito.
Passado que passou.
Esse,
que anda de trás para frente.
Sempre ao avesso.
Acertei a mosca e a qualidade do piso da garagem.
Lá tinha:
aranha caranguegeira, homem barbudo,
rodo, sabão.
Estava pronto o nosso mar vermelho.
Podia chegar quem chegasse,
quem soubesse mergulhar.
Era o bastante para o time ficar completo de coisas novas.
-Tudo era absoluta e mente, verdade nossa.