sexta-feira, 16 de julho de 2010

Era assim, uma vez.

Enquanto eu menina,
embaixo da mesa,
me alimentava de gatos,
meus pais e os outros dois de mim
levavam à boca a seriedade das folhas,
das águas,
saborosas pequenices e muitas, muitas falas.

Eram comigo, ensaio de gente entendida.
No entanto não sabiam,
até onde estender com os pássaros.


-meu gatinho miava a mirar só grama
e esperava.

O tempo despertava sono e me esqueciam no vermelho daquele chão.

nessa hora, meu gato já estava mais para peixe
(só havia se esquecido de avisar às quatro patas, o momento de recolher)

pedia água assim:
cágua! qué qué qué. cágua! qué qué qué

era música igual cantava aquele,
sobre o fogo que apagou, sabe?
Leva sempre no bico essa notícia.
Esse mesmo.
O menestrel dos ares.


Para quem sabe voar.



-Eu sabia.

-Ainda sei saber.



Quando deserta,
voltava a ser gente.

Era preciso muita concentração
e um bocadinho de indisciplina com tudo.

Não durava muito.

Passado que passou.
Esse,
que anda de trás para frente.
Sempre ao avesso.


Acertei a mosca e a qualidade do piso da garagem.
Lá tinha:
aranha caranguegeira, homem barbudo,
rodo, sabão.

Estava pronto o nosso mar vermelho.

Podia chegar quem chegasse,
quem soubesse mergulhar.
Era o bastante para o time ficar completo de coisas novas.


-Tudo era absoluta e mente, verdade nossa.