Caminhávamos cantando, ele e eu. Ao lado da nossa casa, o mato. Entrávamos para explorá-lo, pulando de pedra em pedra. Esse era o caminho da felicidade. Talvez eu a tenha perdido em uma daquelas árvores, em algum galho torto que enfeitava as minhas vistas enquanto eu seguia os calcanhares dele na volta. A voz ia sumindo e eu ia, de pedra em pedra, fazendo o meu caminho. O trajeto da volta era mais demorado. Me sentia presa ao verde todo daquele nosso deserto e ele ia se esvairindo, evaporando, virando grama, virando casa, virando mãe, irmã, irmão, cachorro. Cachorro chorando, a banda tocando, as pessoas atrás e o corpo dele lá, dentro do caixão.
Bem, eu não precisava de mais ninguém além de nós dois e todas aquelas árvores.
Hoje, me restam apenas a imagem, as pedras e a notícia do meu consciente dizendo todo santo dia quando meus olhos teimam em abrir, que agora sou eu e a certeza de que o caminho, aquele caminho, foi um equívoco.
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