Caminhávamos cantando, ele e eu. Ao lado da nossa casa, o mato. Entrávamos para explorá-lo, pulando de pedra em pedra. Esse era o caminho da felicidade. Talvez eu a tenha perdido em uma daquelas árvores, em algum galho torto que enfeitava as minhas vistas enquanto eu seguia os calcanhares dele na volta. A voz ia sumindo e eu ia, de pedra em pedra, fazendo o meu caminho. O trajeto da volta era mais demorado. Me sentia presa ao verde todo daquele nosso deserto e ele ia se esvairindo, evaporando, virando grama, virando casa, virando mãe, irmã, irmão, cachorro. Cachorro chorando, a banda tocando, as pessoas atrás e o corpo dele lá, dentro do caixão.
Bem, eu não precisava de mais ninguém além de nós dois e todas aquelas árvores.
Hoje, me restam apenas a imagem, as pedras e a notícia do meu consciente dizendo todo santo dia quando meus olhos teimam em abrir, que agora sou eu e a certeza de que o caminho, aquele caminho, foi um equívoco.
Sou a menina que ri, a mulher que só olha, o menino esperto, a piscina que me afoga, o pássaro feio e mal, o pássaro que vem em bando.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
quarta-feira, 23 de junho de 2010
“Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro
Ergo as pálpebras e tudo volta a renascer
(Acho que te criei no interior da minha mente)
Saem valsando as estrelas, vermelhas e azuis,
Entra a galope a arbitrária escuridão:
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro.
Enfeitiçaste-me, em sonhos, para a cama,
Cantaste-me para a loucura; beijaste-me para
a insanidade.
(Acho que te criei no interior de minha mente)
Tomba Deus das alturas; abranda-se o fogo
do inferno:
Retiram-se os serafins e os homens de Satã:
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro.
Imaginei que voltarias como prometeste
Envelheço, porém, e esqueço-me do teu nome.
(Acho que te criei no interior de minha mente)
Deveria, em teu lugar, ter amado um falcão
Pelo menos, com a primavera, retornam com
estrondo
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro:
(Acho que te criei no interior de minha mente)
SYlvia Plath
Ergo as pálpebras e tudo volta a renascer
(Acho que te criei no interior da minha mente)
Saem valsando as estrelas, vermelhas e azuis,
Entra a galope a arbitrária escuridão:
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro.
Enfeitiçaste-me, em sonhos, para a cama,
Cantaste-me para a loucura; beijaste-me para
a insanidade.
(Acho que te criei no interior de minha mente)
Tomba Deus das alturas; abranda-se o fogo
do inferno:
Retiram-se os serafins e os homens de Satã:
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro.
Imaginei que voltarias como prometeste
Envelheço, porém, e esqueço-me do teu nome.
(Acho que te criei no interior de minha mente)
Deveria, em teu lugar, ter amado um falcão
Pelo menos, com a primavera, retornam com
estrondo
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro:
(Acho que te criei no interior de minha mente)
SYlvia Plath
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